RENASCITUDES
quinta-feira, 21 de março de 2013
Página Revista
... E o que parecia página virada
Reabre um livro em paisagem
Cheiro de mar abrindo estrada
Magia da pele pedindo passagem.
... E como lua chego na contramão
Dançando nua sob as tuas retinas
Faze de mim tua mais bela canção
É tempo de entreabrir as cortinas.
Quando amanhecer no teu gramado
Já serei flor a te fazer sorrir
Já terá a primavera me adotado
Todos os teus sonhos hei de colorir.
... E as páginas que lá atrás ficaram
Vou retocá-las nos tons de hortência
Tanto de ti e de mim elas guardaram
Desbotadas, ainda prezam essência.
Não se aflija em dar-se inteira
Página por página será revista
No outono serás minha cerejeira
No verão serás meu surfista.
De ti, quero os momentos de risos brandos
Quero tua lágrima estancada por mim
Quero teus sussurros e teus comandos
Anunciando nossa paixão como um clarim.
Autoria: Ilka Vieira
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Completamente...
Amo-te tão completamente
Que a mim basta sentir a tua vida
Teu bem querer tão envolvente
Fazendo de mim, a tua sob medida.
Quero pra ti um olhar doce
Uma vasta selva de aventuras
Como se a vida só fosse
O colorido das pinturas.
Saio buscando uma fresca brisa
Que ventile mais os teus dias
Hei de ser forte e não poetisa
Se destruírem nossas fotografias.
Serei tua segunda dimensão
Num horizonte tão almejado
Mas me guardarei de coração
Se me quiseres ao teu lado.
Chama-me de doida quem não ama
Quem não ama, não compartilha
Também não vive, só reclama
Não vê que o ciúme é armadilha.
Enquanto a chuva regar o teu jardim
As heras acalmarão minha saudade
E se meu bobo sonho persistir
Faze do teu sonho a veracidade.
Esse amor que é raro e alheio
Que de nosso nada tem
Há de vir e ser o nosso meio
Mas muito importa de onde vem!
E o sol que rege o teu sorriso
Há de enfeitar de um outro jeito
Corpo a corpo sem juízo
E o meu coração fora do peito.
Vai na frente que eu te sigo
Sei até onde posso e devo ir
Não se importe tanto comigo
Vai ser feliz sem me inserir.
Se a minha dor se mascarar
Pintando a cara-fraca de aço
Vai embora sem titubear
Cuidarei sim do meu fracasso.
... Mas o meu amor tão completamente,
Ainda fantasia quem nos aceite...
Ou que ignore generosamente,
O nosso amor e o respeite.
Autoria: Ilka Vieira
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Peregrina
Aventurando-me pelas tuas estradas
Sou peregrina da alma em silêncio
Contornando tuas curvas encantadas
Deslizo pelo nosso córrego florêncio.
E o sol do nosso tempero aquece
Enquanto desmato os teus mistérios
Se eu fosse o ritual de uma prece
Desmarcaria por ti todos os critérios.
Caminhante sigo sem querer a reta
Porque contigo cada minuto é uma hora
De nada me adianta enxergar a seta
Se me fazes do teu amanhã o agora.
E eu, sussurrando louca ao teu ouvido
Peregrina faminta sentindo teu cheiro
Rendo-me às promessas sem pedidos
Deitando-me à sombra do nosso cativeiro.
Autoria: Ilka Vieira
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Unilace
É madrugada!
Faz-se a insônia, um lago triste e murmurante,
Guardando para si dores de desenlaces...
Se ao menos eu tivesse um doce amante,
Pintava sorrisos, criando faces...
Sussurra o cruel silêncio em quietude...
Há de querer dizer-me mais do que algo...
Se não o decifro pela amargura tão rude,
Sobra-me o abandono, campo onde cavalgo...
Não há lua a enfeitar-me de brilhante,
Nada vibra, se a solidão amortece...
Se ao menos eu ainda fosse fumante,
Pela saúde, rezaria uma prece.
Ouço ao longe os pássaros que se amam
Criarem canções enobrecendo as carícias...
As folhas balançando se alcançam, se roçam...
A natureza faz amor noturno sem malícia!
Abri os braços e estendi as pernas...
Fechei os olhos e senti-me plena,
Presenteei-me com ternura subalterna,
Soltando um vitorioso grito de arena.
Autoria: Ilka Vieira
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Viagem para o Novo Ano
Hora de Fazer as Malas...
Será uma viagem maravilhosa, mas embora
rápida, precisarei chegar do lado de lá
abastecida do meu indispensável.
Sabendo que não poderei levar muitas malas,
selecionarei aquilo que me dá vida
repleta de alegrias, otimismo e muito amor.
Não poderei atravessar o caminho para o Novo Ano,
se desde já não me enfeitar de esperanças e propostas:
Enxergar melhor tudo que de mim se aproxima e não vejo.
Buscar com maior empenho as respostas que ficam perdidas nas perguntas mal feitas.
Plantar e regar flores nos campos que jamais se permitiram jardinar.
Primeira Mala (Família)
A primeira mala vai abarrotada, todo mundo espremido,
cada um manifestando seus desejos, direitos, motivos...
Enfim, uma total confusão que, se não existisse,
também não levaria o nome de FAMÍLIA .
Mas nesta mala não pode faltar ninguém, porque
cada um com sua própria essência, faz a minha vida
bem mais perfumada e segura.
Tem dias que a gente acha a mala FAMÍLIA
uma perfeita “MALA”. Parece pesada, ultrapassada,
espaçosa, desorganizada...
Já em outros dias, parece tudo isso de novo, mas
acaba sendo a mala de mão, a mala que a gente
transporta com medo de perdermos em alguma estação.
A minha mala FAMÍLIA não fecha completamente, fica sempre uma brecha pra acolher quem precisa de família,
de amor, de alegrias e muita agitação. Quem vê de fora, acha que é uma mala carnavalesca , tudo descombinado,
precisando sempre e urgentemente de ordem, mas não é nada disso; o conteúdo desta mala é colorido, heterogêneo, aquece no inverno, refresca no verão, faz promessas de mudanças no outono, porque precisa estar
forte e florido na primavera. São os únicos conteúdos que não podem misturar-se aos outros, porque — por mais defeitos que apresentem — só juntos, entre eles, se compreenderão e se perdoarão.
Lá, no novo ano, ainda que eu me esforce, outras malas poderão se perder de mim, mas esta mala estará sempre pronta a seguir viagem comigo para qualquer outro destino, seja ele alegre ou triste, resultante de êxitos ou de fracassos.
Segunda Mala (Amigos)
A segunda mala contém bens que adquiri ao longo do tempo.
Alguns me alcançaram, embora eu tenha sido arredia...
Outros, precisei conquistar e fazer muito por merecê-los.
E ainda transportarei na mala, num compartimento bem separado, aqueles que querem ir comigo, mas que já me decepcionaram, já me magoaram, mas merecem uma chance, porque também se dizem meus amigos.
Amigos não são perfeitos, mas se fazem quando convivem sem se decepcionar com as nossas imperfeições.
Amigos são flores que brotam no nosso deserto...
São troncos que suportam o peso dos nossos dissabores...
Verdadeiros amigos são raridades que não encontramos
nas vitrines, nem nas baladas, muito menos nos sonhos...
Até porque, amigos são reais, sofrem e se machucam com a gente e pela gente sem medidas e sem queixas...
Eu levo sim, levo comigo esta mala valiosa que percorrerá a estrada do novo ano, mostrando-me as flores e as pedras...
É preciso se despir de máscaras e preconceitos para conquistar e conservar AMIGOS.
É preciso saber ouvir e silenciar... rir e chorar...
É preciso saber amar aquele que nos guarda e nos condecora como Amigo.
Amigo não se forma somente com o tempo, mas o tempo e as derrotas podem nos mostrar quem são nossos valiosos amigos.
Amigos que partiram jamais serão substituídos pelos novos, porque cada amigo é um amigo,
cada amigo é ele mesmo, porque a vida o transforma, mas com a gente ele é sempre igual.
Terceira Mala (Paixão)
O conteúdo da terceira mala vai levando junto
uma parte “desmedida” do meu coração.
É importante acordar com a alma vaidosa
e fazer os minutos valerem por 24 horas.
É impressionante como a PAIXÃO nos veste
daquilo que a gente gostaria de ser...
Nos impulsiona ao voo mais alto...
Nos leva ao encontro da vista mais bonita...
Soltamos o freio sem medo de nos machucarmos...
A Paixão faz da gente meio gato, meio gente...
Vê estrela onde não tem e brinca de ser independente.
Se eu fosse para o novo ano levando apenas esta mala, iria de trem... de barco... pegando onda, na garupa das costas...
Iria vestida de cinderela e perderia certamente meu sapatinho de cristal, porque a Paixão cria sonhos e nos faz perder compromissos....
A paixão pede desprendimentos e audácias sem oferecer seguro contra decepções...
Pra transportar a mala da Paixão é preciso estar bem resolvido, porque seu conteúdo é forte enquanto sonha e frágil em cada despedida.
A paixão arrepia e relaxa, mata e ressuscita.
Mas eu levo a mala da Paixão sem medos, porque preciso me sentir viva, bonita, eternamente jovem e pronta pra recomeçar.
Quarta Mala (Lembranças)
Não há como deixar pra trás o conteúdo desta mala;
trata-se de relíquias, importantes lembranças
que formam a minha história de sonhos e realidades.
Seu conteúdo é bem diversificado, mas cada um
ocupando o seu devido espaço .
Alguns são acompanhados de melodias...
cantos de pássaros... barulhinho de mar...
Outros adormecem e despertam no mais harmonioso silêncio.
Alguns se fazem mais presentes do que passado,
porque fazem dos meus dias a minha eternidade.
Outros são intocáveis, mas surgem sempre no cantinho dos meus olhos com uma lágrima de saudade.
Mala de lembranças é um baú guardando sentimentos e experiências que não perderam a intensidade, apenas se transformaram e, cada um deles pode ter transformado uma parte da gente num ser muito melhor, muito mais maduro, mais sensível, mais corajoso, mais bonito...
Quando eu chegar no novo ano, certamente acrescentarei mais lembranças a esta mala e dela nunca precisarei
retirar nada, porque até mesmo as decepções que ainda viverei também se transformarão em grandes aprendizados.
A mala das lembranças vai comigo para o Novo Ano,
porque são as experiências que fazem o passado tanger o futuro!
A todos que fazem parte da minha bagagem, desejo uma ótima viagem e que esse Novo Ano seja um lugar e um tempo de ser feliz!
Saúde
Sucesso
PAZ
Alegrias
Tolerância
Solidariedade
Sabedoria
Sonhos
Amizades verdadeiras
Paixão
Perseverança
Recompensas
Respeito
Amor, muito AMOR!
Carinhoso abraço,
Ilka Vieira
(autora do texto)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
É Natal !
É Natal !
São sinos de bênçãos
anunciando o momento
do encontro com o próprio EU.
É a chance de rever
o que perdemos
e o que fizemos para não merecer.
É a vida se vestindo de amor,
dando voltas em torno
das nossas metas.
É a necessidade de doação
acenando ao rígido coração.
É a água límpida
caindo sobre nossas mãos,
tentando lavar o lixo que geramos,
o luxo que desejamos.
É a esperança
apontando para o sol,
fazendo-se menina colorida
na alma dolorida.
É a beleza da igualdade
unindo pretos e brancos...
fortes e fracos...
no abraço mais profundo...
na fé renovadora do mundo...
É Natal !
Basta querer,
basta começar,
ainda que seja a bordo
ou em terra firme.
Autoria: Ilka Vieira
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Poço da Solidão
Faz escuro e eu canto.
Desobstruo e reforço as cordas,
descanalizo a necessidade de viver
por viver apenas,
sem saber por quê viver.
Aprecio as bordas do poço
e não me jogo, detenho-me por covardia,
renuncio, afasto-me lentamente,
corro, caio, quase não me levanto...
Mas, por um simples e cruel empurrão,
retorno ao fundo da minha solidão.
Autoria: Ilka Vieira
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